
1 - O Ponto G existe ?
As mulheres sempre souberam que sentem dois tipos de orgasmo: no clitóris e na vagina. O clitóris por ser localizado na parte externa do corpo, na entrada da vagina, é muito mais fácil de ser encontrado. Alfred Kinsey, em sua pesquisa sobre sexualidade humana, feita na década de 50, verificou que ele era sensível ao toque em 98 por cento das mulheres examinadas, mas admitiu que elas também têm sensibilidade num certo ponto no interior da vagina.
Contrário à opinião de Masters e Johnson e de muitos outros, de que todos os orgasmos implicam o clitóris, foi apresentado o seguinte resultado do estudo de Perry e Beverly no congresso nacional da Sociedade para o Estudo Científico do Sexo, em 1980, nos Estados Unidos:
Existe um lugar dentro da vagina que é extremamente sensível à pressão intensa. Localiza-se na parede anterior da vagina, a cerca de cinco centímetros da entrada. Eles deram a esta região o nome de ponto de Gräfenberg, em homenagem ao Dr.Ernst Gräfenberg, primeiro médico da atualidade a descrevê-la, em 1950.
O ponto foi encontrado em todas as mulheres por eles examinadas. Quando adequadamente estimulado, o ponto G intumesce e leva muitas mulheres ao orgasmo. No momento do orgasmo, muitas mulheres ejaculam pela uretra um líquido quimicamente semelhante ao sêmen masculino, mas sem conter espermatozóides.
Em conseqüência do estímulo do ponto G, as mulheres muitas vezes têm uma série de orgasmos seguidos. Para muitas mulheres é difícil estimular adequadamente o ponto G quando deitadas de costas. Nas outras posições, fica mais fácil.
O emprego do diafragma para controle da natalidade interfere com o estímulo do ponto G, em algumas mulheres.
Como acham que estão urinando, muitas mulheres se embaraçam com a sua ejaculação. Pensando a mesma coisa, seus parceiros muitas vezes as menosprezam, o que é uma das razões pelas quais muitas mulheres aprenderam a reprimir o orgasmo.
A força do músculo pubococcígeo de uma mulher está diretamente relacionada com sua capacidade de atingir o orgasmo através do coito. As mulheres podem aprender a fortalecer seus músculos pubococcígeos ou a relaxá-los, se estiverem muito tensos.
Se os homens aumentarem a força de seus músculos pubococcígeos, também podem aprender a ter orgasmos múltiplos e a separar o orgasmo da ejaculação.
Há vários tipos de orgasmos nas mulheres e nos homens. Nas mulheres existe um orgasmo vulvar, desencadeado pelo clitóris; um orgasmo uterino, desencadeado pelo coito; um orgasmo que é a combinação dos dois. Nos homens há um orgasmo desencadeado pelo pênis e outro pela próstata.
2 - Os médicos tentam resistir
Esses resultados foram apresentados, não sem resistência de alguns médicos. O Dr. Martin Weisberg, ginecologista no hospital da Universidade Thomas Jefferson, na Filadélfia, respondeu: "Bolas, eu passo metade das minhas horas de vigília examinando, separando, reunindo, removendo ou tornando a arranjar os órgãos reprodutores femininos. Não existe próstata feminina e as mulheres não ejaculam". Horas mais tarde, depois de ter assistido ao filme de Peny e Whipple e de haver examinado uma das mulheres submetidas à pesquisa, ele reconsiderou: "A vulva e a vagina estavam normais, sem quaisquer massas ou pontos anormais.Tudo estava normal.
Então, ela fez com que seu parceiro a estimulasse inserindo dois dedos na vagina e friccionando-os ao longo da uretra. Para nosso espanto, a região começou a intumescer. Finalmente a região tornou-se firme numa área oval de 2 cm, distintamente diferente do resto da vagina. Em poucos minutos a criatura parecia realizar uma manobra de Valsalva (fazendo força para baixo, como se fosse iniciar uma defecação) e, segundos após, a uretra expeliu vários centímetros cúbicos de um líquido leitoso. Evidentemente o material não era urina.
Com efeito, se a análise química descrita no artigo está correta, sua composição era muito próxima do fluido prostático... Eu fiquei confuso. Fiz uma checagem com vários anatomistas que pensaram, todos eles, que eu estava maluco. Mas minhas pacientes não achavam que eu estivesse louco. Algumas me disseram que ejaculavam. Outras conheciam a área erótica em torno da uretra. E todas que foram para casa com instruções para experimentar, encontraram o ponto de Gräfenberg.
Ainda não tenho uma explicação para isso, mas posso atestar o fato de que o ponto de Gräfenberg e a ejaculação feminina existem. Estou certo de que, daqui a alguns anos, um professor da escola de medicina fará uma piada sobre como só na década de oitenta a comunidade médica aceitou finalmente o fato de que as mulheres realmente ejaculam."
3 - Por que muitos ainda não aceitam a existência do Ponto G
Até hoje muitas pessoas, inclusive ginecologistas, ignoram a existência do ponto G e da ejaculação feminina. Alguns autores atuais afirmam ainda em seus livros que a mulher só pode ter orgasmo com a estimulação do clitóris. Mas, nesse mesmo Congresso nos Estados Unidos, em 1980, citado no item I, pesquisadores examinaram 400 mulheres que se ofereceram como objeto de estudo. O ponto G foi encontrado em cada uma delas. Se o ponto G existe em todas as mulheres, por que ficou desconhecido até agora?
Além da pouca importância dada à sexualidade feminina, em um exame ginecológico normal a área do ponto G é geralmente apalpada e não estimulada. O que ocorre é que em estado de repouso ele é quase imperceptível, não sendo fácil sua localização. Ao toque, o ponto G se apresenta do tamanho de um feijão, mas recebendo pressão intensa, se adequadamente estimulado, intumesce, aumenta de tamanho e pode provocar vários orgasmos consecutivos, com ou sem ejaculação. O resultado é um orgasmo vaginal bem diferente do orgasmo alcançado pela excitação do clitóris. E agora, é cada vez maior o número de mulheres que experimentam o orgasmo a partir de sua estimulação
4 - Localização do ponto G
O ponto G se situa por trás do osso púbico, dentro da parede anterior da vagina, mais ou menos a cinco cm da entrada do canal vaginal. O tamanho e a localização exata variam. Imagine um pequeno relógio dentro da vagina, com as 12 horas apontadas para o umbigo. A maioria das mulheres encontrará o ponto G situado na região entre 11 e 1 hora.
Quando essa região é estimulada, as mulheres geralmente experimentam uma sensação semelhante a uma necessidade urgente de urinar. Ao toque, o ponto G se apresenta como um pequeno feijão, mas quando estimulado, começa a intumescer e, muitas vezes, pode ser sentido como um pequeno caroço entre os dedos. Pode crescer até o tamanho de uma moeda. Para algumas mulheres é difícil que ele seja estimulado adequadamente quando deitadas de costas. Nas outras posições fica mais fácil, principalmente se a mulher ficar por cima do homem, de forma a conduzir a estimulação.
Uma mulher de 46 anos, separada, declarou: "Eu não sabia que existia um ponto chamado G, mas sempre soube que ele estava presente ali. Muitos ginecologistas continuam enganando as mulheres, levando-as a acreditar que só é possível ter orgasmo estimulando o clitóris. O orgasmo clitoriano também é bom, mas não pode ser comparado com o que ocorre dentro da vagina. Só quem já experimentou sabe bem a diferença". Sem dúvida o sexo é um aprendizado, e quanto menos preconceitos houver, mais prazeres podem ser descobertos. Para muitas mulheres, o orgasmo obtido a partir da estimulação do ponto G é qualitativamente superior ao orgasmo clitoriano.
5. Alguns relatos de mulheres sobre o orgasmo no ponto G
Transcrevo abaixo a declaração de algumas mulheres pesquisadas por Whipple e Peny, num estudo de 1982 sobre a reação sexual feminina:
- Mulher de 35 anos, casada há quatorze: - Parece incrível que somente agora isto seja estudado. Não há dúvida de que é preciso saber se a discriminação contra as mulheres tem algo a ver com isso, historicamente falando. É bem possível que muito mais pesquisas tivessem sido feitas sobre o assunto, se os pesquisadores, em sua maioria, não fossem homens. E não é patético que em pleno 1982 nós mulheres estejamos apenas começando a discutir esse assunto?
- Jovem de 21 anos de idade falando sobre o seu primeiro e único amante: - Sim, existe um ponto especial lá dentro. Fica na frente e um pouco à direita do centro. Quando ele o toca com o pênis, é muito agradável e muito mais fácil de alcançar quando estou por cima dele.
- Mulher casada há trinta e três anos: - Devo dizer-lhe que você está absolutamente certo quanto ao ponto G. Eu ignorava o nome pelo qual é conhecido, mas definitivamente ele está presente. Tenho ouvido muitos especialistas em sexo enganarem as mulheres, levando-as a crer que o estímulo clitoriano leva ao orgasmo - é claro que o estímulo é bom -, porém em nada se compara com o verdadeiro orgasmo, que ocorre lá no fundo da vagina; se você conseguir obter os dois ao mesmo tempo, certamente alcançará o êxtase.
A posição para o coito tem alguma relação com o estímulo do ponto G, mas a estrutura física e a cooperação dos parceiros são extremamente importantes. Gräfenberg afirma: "O ângulo que o pênis forma com o corpo tem um significado importante e tem de ser levado em conta. Talvez a fama do 'amante perfeito' se baseia nessas características fisiológicas".
- Mulher de 42 anos e casada pela segunda vez, confirma esta afirmação: - É uma experiência diferente de todas as que eu tive antes. Com Dan, nós podemos nos deitar, olhando um para o outro, e seu pênis alcança aquele ponto dentro de minha vagina que me dá uma sensação tão maravilhosa e me leva sempre ao orgasmo. Acho que isso se deve à maneira pela qual seu pênis fica quando ereto, encostado de encontro à sua barriga. Com meus outros parceiros, jamais aconteceu isso.
Para alguns casais, o coito com a mulher por cima é a melhor posição para estimular a área do ponto G. E nesses casos, para algumas mulheres, um pênis menor é mais eficiente do que um maior.
- Mulher de 30 anos, esposa de um médico: - Sempre tive orgasmos, mas nunca com intensidade quando o pênis se achava completamente dentro da minha vagina. Na verdade, às vezes minha excitação cessava abruptamente quando o pênis me penetrava completamente. Sempre me senti mais excitável quando o pênis havia penetrado a metade ou um terço de minha vagina. Agora eu sei por que - naquela região ele toca "meu ponto mágico".
Algumas mulheres relatam sensações orgásticas durante o parto. É possível que o ponto G seja estimulado durante a passagem do bebê pelo canal vaginal.
- Mulher de 61 anos, casada há trinta e sete: - Dei à luz três filhos, vivos e felizes. No entanto, experimentei algo que realmente me aborreceu. Quando eu estava para ter meu segundo filho, encontrava-me no hospital e o médico sugeriu que eu fosse ao banheiro. Na privada eu experimentei o mais terrível dos orgasmos. O sexo estava longe de meus pensamentos. O médico não deu atenção quando lhe relatei o acontecido ou não acreditou em mim. Sempre encarei esse fato com um sentimento de culpa, e amigas íntimas me diziam que eu estava maluca. Poderia o feto ter feito pressão sobre o ponto G?
6 - O ponto G é conhecido desde a Antigüidade
A medicina grega da Antigüidade já reconhecia a importância do ponto G para o prazer feminino. Mas ele só foi trazido à tona novamente na Europa do século XVII pelo anatomista holandês, Regnier de Graaf. Ele descreveu a mucosa membranosa da uretra em detalhes e escreveu que "a substância podia ser chamada muito adequadamente de prostatae feminina ou corpus glandulosum(...).
A função da prostatae é gerar um suco pituito-seroso, que torna a mulher mais libidinosa. (...) Aqui também deve-se notar que o corrimento da prostatae feminina causa tanto prazer quanto o da próstata masculina". Uma das funções da próstata masculina é fabricar parte do fluido seminal (o sêmen é fornecido pelos testículos). Considerando o ponto G um homólogo da próstata masculina, podemos entender por que o líquido que algumas mulheres expelem no momento do orgasmo é similar ao do homem, sem conter espermatozóides, e essa expulsão conhecida como ejaculação feminina.
O mito e as especulações sobre se o ponto G existe ou não tem muito pouca importância.
O que não pode é se deixar influenciar por conceitos mágicos e surpreendentes, criando uma instabilidade sexual exatamente naqueles que tentando entender sua sexualidade.
Não transforme suas buscas em conceitos mágicos, trazendo como conseqüência o bloqueio de suas conquistas sexuais.
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